Medicina Veterinária Legal

Protocolos de Perícia Veterinária em Casos de Maus-Tratos: Valadez, FMEA e Diretrizes Internacionais

30/05/2026
Publicado por Dr. Atilio S. Calefi

Para embasar uma denúncia criminal ou ação civil por maus-tratos a animais, o relatório pericial não pode se apoiar em impressões meramente subjetivas ou laudos genéricos. Em juízo, a defesa técnica do agressor explorará qualquer inconsistência metodológica. Por isso, a Medicina Veterinária Legal aplica escalas padronizadas e protocolos científicos internacionalmente reconhecidos para quantificar e comprovar a materialidade do dano físico e psicológico.

Principais Protocolos Científicos Empregados na Perícia Forense

  • 1. Escala de Avaliação de Maus-Tratos de Valadez: Ferramenta forense que pontua e estratifica as lesões físicas, nutricionais, ambientais e sanitárias em níveis de gravidade (leve, moderado, grave e gravíssimo), estabelecendo critérios objetivos sobre o risco de morte e dor sofrida pelo animal.
  • 2. Protocolo de Avaliação de Bem-Estar Animal Baseado no FMEA (Failure Mode and Effect Analysis): Mapeia detalhadamente o ambiente, o comportamento e a saúde física do animal, verificando ponto a ponto o descumprimento sistemático das Cinco Liberdades (livre de fome/sede, livre de dor/doença, livre de desconforto térmico/físico, livre para expressar comportamento natural e livre de medo/estresse).
  • 3. Diretrizes da International Veterinary Forensic Sciences Association (IVFSA): Padronização de coleta de vestígios em locais de crime, registro fotográfico em escala milimétrica com testemunho métrico e manutenção da cadeia de custódia.

A Importância do Laudo Médico Veterinário Legal nos Tribunais

O laudo pericial estruturado sob esses critérios científicos é a peça fundamental para que a autoridade policial, o Ministério Público e o Poder Judiciário possam:

  1. Tipificar com precisão o crime do Art. 32 da Lei nº 9.605/98 (com as qualificadoras da Lei Sansão nº 14.064/20 para cães e gatos).
  2. Fundamentar pedidos cautelares de busca, apreensão e perda definitiva da guarda do animal em benefício de sua integridade.
  3. Arbitrar indenizações por dano moral coletivo e reparação integral dos custos médico-veterinários gerados pelo agressor.
Referência Científica:

Touroo R et al. Identification, Collection, and Preservation of Veterinary Forensic Evidence: On Scene and During the Postmortem Examination. Vet Pathol, 2016;53(5):880-7. DOI: 10.1177/0300985816641175.

Acessar Artigo Original no PubMed (PMID: 27030370)
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Prof. Dr. Atilio Sersun Calefi
Sobre o Autor

Prof. Dr. Atilio Sersun Calefi

Pós-Doutor em Farmacologia Veterinária pela USP. Médico Veterinário e Biólogo. Consultor de toxicologia, farmacologia e patologia forense. Coordenador da CSVET Editora e preceptor.

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